Edison Veiga – O Estadao de S.Paulo

Ex-professora de Educação Física, a paulistana Maria Clara Fragoso encontrou na argila seu meio de expressão. E foi em 25 de janeiro de 1977, quando a cidade de São Paulo completava 423 anos, que ela concluiu sua primeira obra: um pequeno casario antigo, imaginário, ainda com formas não muito bem definidas. De lá para cá, o trabalho dela só evoluiu. A ponto de Maria Clara conseguir, desde 1998, viver do artesanato.

Hoje com 55 anos, Maria Clara vive com a mãe em uma casa no bairro do Jardim São Roque, zona norte de São Paulo. Nos fundos, fica seu ateliê. Espátulas de todos os tamanhos e tipos, tintas, fotos e pinturas antigas da cidade convivem com miniaturas de cartões-postais como o Pátio do Colégio, a Catedral da Sé, o Largo São Francisco e o Mosteiro de São Bento. “Minha missão é resgatar a memória arquitetônica de São Paulo”, acredita ela, que repete a frase como se fosse um bordão.

Em seu, digamos, catálogo, há 15 tipos de miniaturas, em geral de igrejas antigas e conjuntos de casarios. “Mas também já fiz de arquitetura moderna, como o Masp”, conta, referindo-se ao prédio do Museu de Arte de São Paulo. Os preços das peças vão de R$ 130 a R$ 350, de acordo com o grau de dificuldade. São encontradas em dez pontos de venda na cidade – de lojinhas de museus a estabelecimentos comerciais no Shopping Eldorado e no Aeroporto de Congonhas, por exemplo.

TÉCNICA

Autodidata, Maria Clara impressiona pelo cuidado com que lapida os detalhes de cada construção. “Faço uma boa pesquisa histórica e arquitetônica antes de me aventurar em um modelo novo”, revela a artista. “Não posso fazer uma peça sem saber o contexto dela. Gosto de aprender sobre o passado da cidade.” Não à toa, em 1997 fez um curso sobre a história do centro de São Paulo, promovido pelo Museu Paulista, o Museu do Ipiranga.

Para esculpir uma peça, Maria Clara leva em média quatro horas. Depois disso, a argila modelada vai para o forno, de onde só é tirada após dois dias. Aí, chega a fase de acabamento, quando a miniatura recebe as cores e fica pronta.

Além de esculpir – “paredinha por paredinha, como se fosse um pedreiro”, frisa – o passado paulistano, Maria Clara se dedica a imagens sacras, como as de Nossa Senhora Aparecida e de São Francisco de Assis. E, quando aparece alguma encomenda, faz o que o cliente pedir. “Geralmente querem a sede da empresa, a casa onde moram ou algum local com o qual tenham afinidade”, exemplifica Maria Clara. “Tendo um desenho ou uma fotografia, eu mando bala.”

Há algum tempo, Maria Clara – que tem página na internet (www.mariaclarafragoso.com.br) – decidiu passar suas técnicas adiante. Ela faz isso em oficinas, quando chamada por alguma entidade, ou em aulas particulares ministradas em seu ateliê, na zona norte.

 

(fonte) http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-historia-de-sao-paulo-em-argila,501474,0.htm

© fotos do acervo por Pierre Yves Refalo. Para compra de peças entre em contato direto com os artesãos.