“Sobre o Grupo: A WARIRÓ é uma loja, situada na cidade de São Gabriel da Cachoeira, foi fundada em 2005 a partir da reivindicação das mulheres indígenas do Rio Negro. Como a mulher indígena desta região não possuí voz ativa, elas se reuniram para exercer seus direitos e ter participação na geração de renda da família. Para isso, deram início à criação de associações de mulheres que trabalham com artesanatos. A loja é vinculada à FOIRN, Federação das Organizações do Rio Negro, que tem como objetivo fazer a compra e revenda dos produtos das associações e também dos artesãos que não participam de associações – por causa da localidade onde vivem, por falta de incentivo ou de conhecimento para se organizarem, movimentando assim o artesanato da região.

Mesmo sendo de difícil acesso para os artesãos, que em alguns casos, tem de viajar por vários dias de canoa até São Gabriel, quando chegam à cidade, podem contar com a venda de suas peças na loja, obtendo assim renda para adquirir produtos da cidade e gasolina para o regresso a suas comunidades. A loja é opção para o artesão de obter uma renda alternativa ao programa de distribuição de renda Bolsa Família.

A maioria dos artesãos são mulheres indígenas, vindas de 23 etnias espalhadas ao longo do rio Negro e de suas 5 calhas principais.

O Artesanato e a Técnica: O principal artesanato é a cestaria, embora outras formas de artesanato também sejam produzidas e comercializadas. As matérias primas são extraídas na natureza de forma sustentável, sempre recolhendo o material de locais diversos para que o local possa se reestruturar para a próxima colheita. As matérias primas utilizadas na produção artesanal são: argila, arumã, folha de tucum e urucum. Ela são extraídas pelos próprios indígenas artesãos.

Normalmente são extraídos a fibra de palmeiras e plantas para fazer as cestarias, e os tingimentos são feitos de cores naturais como urucum, genipapo, cragiru, mangaratai, água de cinzas, água de ferrugem. A argila é retirada de locais apropriados e pintadas com tinta natural e são impermeabilizadas com resinas vegetais. O Jarro Arumã por exemplo, é feito de uma palmeira com nome de arumã e é pintado com urucum e genipapo.

O conhecimento tem origem na própria comunidade. A arte é repassada de geração a geração pelos familiares. Cada artesanato tem um desenho traçado de acordo com seu significado. As peças não são apenas para comércio, são também de uso no dia a dia dos indígenas, como o Aturá que é uma cesta muito comercializada por causa de seu trançado e é utilizada nas roças para a colheita da mandioca.

A cestaria que é produzido pelo povo baniwa, é feita de uma palmeira com nome de arumã, o artesão ou artesã entra em uma trilha no mato em busca da planta, lá ele faz o corte e já limpa a folha deixando apenas a fibra a ser usada no artesanato.

Por ser dentro de Terra Indígena, os povos tem a licença de extrair matérias primas para uso. Os povos indígenas da região já possuem em sua tradição a extração de forma sustentável, pois sabem que se extraírem de forma descontrolada não terão mais no futuro.”

[Fonte: http://artesol.org.br/rede/author/wariro/#indigena]

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© fotos do acervo por Pierre Yves Refalo. Para compra de peças entre em contato direto com os artesãos.