Taboa progetto per i caiçara | Taboa projeto para o caiçara

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Reportagem especial com a designer Daniela Baldo e a artesã Cleide Toledo. [texto: Alex de Campos Moura, fotos: acervo pessoa]

 

A Descoberta

 

Num fim de tarde, em uma calçada de Paraty, ocorreria uma “descoberta” que mudaria o caminho de duas pessoas aparentemente com pouco ou nada em comum: uma designer e outra artesã, reunidas em uma empreitada que ganharia alcance para todo o artesanato brasileiro e até mesmo para seu reconhecimento internacional.

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A pesquisadora Daniela M. Baldo, brasileira e há anos erradicada na Itália, descobria então, pelas mãos de uma artesã local, o trabalho de trama e de trançado da “taboa”, arte já em vias de extinção na Itália. Dessa descoberta, nasceria o tema de sua tese de Bacharelado em Desenho Industrial, na Università degli Studi di Firenze, na Faculdade de Arquitetura. Levando a taboa em sua viagem de volta, Daniela a apresentou para o vice presidente de Desenho Industrial, o professor Giuseppe Lotti, que se dispôs a orientá-la. A taboa responde às exigências do eco-design por ser sustentável, espontânea, isto é, não cultivada e biodegradável e o cenário no qual inserida, a costa do Estado de São Paulo habitata pela população Caiçara, atende ao trinômio território, cultura e artesanato.

A Pesquisa

 

A pesquisa se iniciou então pela investigação da história desta planta, existente em quase todo o mundo, inclusive no sul da Europa. 30.000 anos atrás já se trançava a taboa e, com o rizoma de sua raiz, fazia-se a primeira farinha produzida pelo homem.

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Na Itália, até que os brejos e pântanos fossem drenados, o que praticamente os extinguiu, vilas inteiras viviam da taboa. Foi numa das poucas vilas remanescentes dessa tradição, na Villanova di Bagnacavallo, que a pesquisadora aprendeu como cortar, secar, conservar e trabalhar a taboa, aprendendo as técnicas de trançado com as últimas artesãs que ainda dominam a arte – a mais nova com 70 anos e a mais velha com 96 anos. Processo esse ricamente descrito e ilustrado ao longo da tese.

Itália

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O Encontro

 

Ganhava corpo então a pesquisa de Daniela. Em contato com o Brasil, por intermédio do ouvidor da Sutaco, Renan Novais, ela conheceria a pessoa cuja vida também havia sido diretamente transformada pela taboa: a artesã Cleide Toledo, uma das mais importantes do país no trato desse material.

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Coube a ela a tarefa extremamente delicada de produzir os trabalhos desenhados pela designer, dando corpo a uma das propostas principais de sua tese: “a produção artesanal de objetos em taboa como uma alternativa de desenvolvimento sustentável para a população caiçara, particularmente das zonas que estão sendo transformadas em reservas ecológicas e a principal fonte de renda, a pesca, é proibida, de modo que esta não seja obrigada a migrar para as grandes cidades”.

 

Móveis projetados:

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O desafio proposto pela designer e realizado pela artesã era o de fazer móveis de taboa, sem estrutura de ferro ou de outro material que não fosse local, que demandasse especialização técnica ou gerasse lixo, podendo ser usados pelos próprios artesãos, vendidos diretamente à população local, aos proprietários das casas de veraneio, aos turistas e, indiretamente, aos consumidores das grandes cidades.

 

A Tese

 

A tese, assim, parte de um panorama geográfico-cultural sobre o Brasil, traça uma rica reconstituição histórica dos desdobramentos do uso da taboa, para chegar à proposta de uma criação efetiva com ela, capaz de incorporar as demandas contemporâneas e ao mesmo tempo salvaguardar sua tradição, conciliando os apelos modernos com a técnica mais original de tramado e trançado do material. Ela propõe, desse modo, um esforço de conciliação entre o novo e a história, entre o designer e o artesanato, na tarefa de redescobrir o lugar da taboa em um mundo que parece ter se fechado para ela, alheio às heranças e ao aprendizado do passado. É o apelo a um porvir que não se faça destruindo o que o antecedeu, mas absorvendo-o e reintegrando-o, fazendo dele alicerce e não ruína. Que esse trabalho consiga gerar um eco capaz de preservar e dar o lugar de direito a um “saber” que soube se constituir e preservar por mais de 30.000 anos, mas que, em um curto período de décadas, a avidez humana foi capaz de quase levar à extinção.

Sala Caiçara:

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Sr. Brasil

 

A designer Daniela Baldo e a artesã Cleide Toledo conversam com Rolando Boldrin sobre a sua parceria.

 

 

Leia a tese

 

Università degli Studi di Firenze

Facoltà di Architettura

Corso di Laurea in Disegno Industriale

Anno Accademico 2011/2012

Sessione Luglio 2012

 

Titolo della Tesi

TABOA: PROGETTO PER I CAIÇARA

Relatore:

Prof. Giuseppe Lotti

 

Tesi di Laurea di

Daniela MUELLER BALDO

 

© fotos do acervo por Pierre Yves Refalo. Para compra de peças entre em contato direto com os artesãos.