Modos de Fazer – ArteSol [projeto desenvolvido em 1998, 2002 e 2003]

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Candeal-MG

 

 
Assim se faz a cerâmica de Candeal, no município de Cônego Marinho, no norte do Estado de Minas Gerais. Lá, seguindo a tradição doméstica e familiar, geração após geração, as mulheres, em especial, desenham com o tauá (pigmento mineral de coloração vermelha) flores e arabescos em potes, moringas, travessas, pratos e muitos outros objetos que modelam e queimam nos fornos de barro erguidos nos quintais das casas. Atualmente, com o impulso dado pelo Projeto Cerâmica de Candeal, realizado pelo ArteSol e organizados em associação, os artesãos compartilham mais intimamente seus saberes e descobertas, reunidos no Galpão dos Oleiros de Candeal. O resultado se expressa no maior refinamento técnico da produção, na crescente diversidade dos objetos que criam, e na sua integração a um circuito nacional de mercado contemporâneo.
 
 

Ilha do Ferro-AL

 

 
No rio São Francisco, a 18 km da sede do município de Pão de Açúcar, em Alagoas, está localizada a comunidade de Ilha do Ferro, de paisagem belíssima e povo acolhedor. O artesanato é uma de suas principais atividades econômicas, especialmente o bordado Boa Noite, trabalho único no Brasil, executado pelas mulheres do local. Desvalorizado e quase esquecido, esse bordado foi revitalizado, aperfeiçoado e atualizado no tocante a tamanhos e funções, incorporando novas influências da vida moderna. Hoje, a Cooperativa Art-ilha congrega essas mulheres, detentoras da arte de bordar, sua maior tradição. Em meio a bastidores, tesourinhas, linhas e agulhas, sofisticadas composições vão surgindo nos tecidos.
 
 

Campo Alegre-MG

 

 
Campo Alegre, no município de Turmalina, integrante do Vale do Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais, é uma localidade onde grande número de mulheres produz uma cerâmica de feições extremamente particulares, que expressa muito de sua sensibilidade e herança cultural. A cerâmica de Campo Alegre incorpora as influências recebidas numa constante renovação de modelos, que são, por sua vez, adaptados dos que foram herdados. Em seu conjunto, a produção local se compõe de uma variedade de formas e soluções que, embora individuais, seguem padrões comuns. Vasos, potes e vasilhas de cunho mais tradicional confundem-se com bonecas, animais e moringas antropoformas. A farta decoração é inspirada na flora local e desenhada com tonalidades terrosas. As diferentes colorações são obtidas de barros diversos, que, tratados conforme técnicas tradicionais produzem os tons que vão do branco ao ocre e marrom avermelhado.
 
 

Pitimbú-PB

 

 
Pitimbú é um pequeno município com quase 14 mil habitantes, situado no litoral sul da costa paraibana. O artesanato em fibra de coco expressa um saber tradicional brasileiro de complexa técnica perfeitamente executada, ao longo de mais de 30 anos, por Maria José do Nascimento, mestra Zefinha. Com o repasse deste saber, a partir de 2001, pelo ArteSol, com oficinas realizadas de criação de produto e de organização do trabalho coletivo, o trançado passa a ser parte da vida de muito mais pessoas, garantindo a perenidade deste artesanato. Existem hoje mais mestras deste fazer e mulheres aprendendo o trançado.
 
 

Instrumentos Musicais

 

 
Singular na forma e sonoridade, a viola-de-cocho integra manifestações caracterizadas por musicalidade, poética e coreografia singulares, cultivadas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Também aparecem no vídeo o reco-reco e o modo do fazer de tambores.
 
 

Berilo-MG

 

 
O município de Berilo, no Vale do Rio Jequitinhonha, em Minas Gerais, é conhecido pela excelência de sua tecelagem. A tradição têxtil da região foi relatada pelos viajantes e remonta ao século XVIII. Ao longo das gerações, as mulheres desse lugarejo se dedicam ao intenso trabalho de cardar, fiar e tecer o fio de algodão. Atualmente, a produção artesanal de Berilo encontra-se organizada em torno de 3 associações comunitárias em Roça Grande, Engenho Velho e Barra do Ribeirão, onde 53 artesãos estão envolvidos no projeto Vale de Tramas do Artesanato Solidário.
 
 

Itaobim-MG

 

 
Itaobim/MG, situado no Vale do Jequitinhonha, é um dos núcleos de artesanato de tradição em que atua o Artesanato Solidário/ArteSol. Cerca de 40 artesãos, reunidos na ARTELUZ (Associação de Artesãos de Estação da Luz), desenvolvem trançados com a fibra da taboa. Eles confeccionam várias peças, dentre elas as caixas trançadas em vários tamanhos, as quais têm função decorativa e também utilitária, ao servirem como embalagem para outros produtos. O sucesso das caixas de taboa no mercado consumidor tem garantido aos artesãos de Itaobim uma renda regular e promovido uma real melhoria em suas condições de vida.
 
 

Urucuia-MG

 

 
No extremo noroeste de Minas Gerais está Urucuia, cidadezinha encravada no sertão de Guimarães Rosa. As veredas, que o autor imortalizou em seu romance, são uma das principais características da região, e nelas brota o buriti, palmeira de variadas utilidades que fornece a matéria-prima com a qual as mulheres produzem utensílios de uso cotidiano e cujo manejo sustentável representa uma das ações locais do Artesanato Solidário/ArteSol, em parceria com o Ibama. Trançar a palha do buriti é fazer artesanal tradicional do lugar. Há várias gerações com ela se fazem balaios, cestas, peneiras, redes e esteiras. As caixas trançadas, de vários tamanhos e modelos, transformam-se em embalagens para diferentes produtos. A caixa de Urucuia foi um dos vencedores do Prêmio Planeta Casa 2003, na categoria produtos.
 
 

Chapada do Norte-MG

 

 
Os artesãos de Chapada do Norte/MG, reunidos na Associação dos Artesãos de Santa Cruz de Chapada do Norte, compõem um dos núcleos de artesanato de tradição em que atua o Artesanato Solidário/ArteSol. Produzem um artesanato variado que inclui bolsas e sacolas trançadas com palha de milho, bancos de madeira trançados em couro e palha de milho, além de caixas de folia e tambores, instrumentos musicais utilizados na congada, tradicional manifestação cultural da comunidade.
 
 

Olinda-PE

 

 
Olinda/PE, Patrimônio Cultural e Histórico da Humanidade e um dos núcleos de artesanato de tradição em que atua o Artesanato Solidário/ArteSol, é considerada a “Pátria dos Bonecos”; lá se originaram duas vertentes de bonecos: o mamulengo brasileiro (herança dos presépios franciscanos) e os bonecos gigantes. Mestres mamulengueiros ministram oficinas para novos aprendizes, apresentam seus espetáculos no teatro Só-Riso e expõem seus bonecos no Espaço Tiridá – Museu do Mamulengo. No município de Olinda foram implantados também os projetos de Máscaras de Julião como forma de capacitar jovens aprendizes e de gerar trabalho e renda para eles e suas famílias.
 
 

Glória de Goitá-PE

 

 
Com quase 40 anos de um saber-fazer caído no esquecimento, a produção do mamulengo ressurgiu como expressão da identidade local e possibilidade de trabalho e renda em Glória do Goitá/PE. Ao longo de dois anos, o Artesanato Solidário/ArteSol e a rede de parceiros envolvidos no projeto recuperaram o que Glória de Goitá sempre foi: “A Cidade do Mamulengo”. Para a revitalização da atividade, Glória do Goitá tem como centro de atividades e base de apoio o mestre Zé Lopes, um dos mais conhecidos dentre os mestres mamulengueiros, e o mestre Zé Divina. Através de oficinas de repasse de saber organizadas pelo Artesanato Solidário/ArteSol, o brinquedo do mamulengo está sendo preservado e ao mesmo tempo transmitido aos mais jovens. Hoje eles estão organizados na Associação dos Mamulengueiros e Artesãos de Glória do Goitá e se reúnem no Memorial do Mamulengo para a fabricação dos bonecos, bem como para divulgar esse saber-fazer.
 
 

Delmiro Gouveia-AL

 

 
O Artesanato Solidário encontrou um grupo formado predominantemente por jovens mulheres de Salgado — pequeno povoado de Delmiro Gouveia — retomando a tradição da tecelagem manual que, de alguma forma, tinham aprendido com suas mães e avós
O desenvolvimento das primeiras atividades e a perspectiva de valorização daquela tradição trouxeram ao grupo algumas mestras mais idosas e experientes no ofício. Hoje, as artesãs trabalham juntas na Tecelagem Descanso do Rei e estão trocando e compartilhando seus saberes, potencialidades e possibilidades.
O processo de tecer funciona como uma linha de produção, exigindo do grupo grande organização, definição das etapas de trabalho, a contagem do tempo consumido, até a divisão de tarefas e responsabilidades individuais.
 
 

São João da Varjota-PI

 

 
Nesse pedaço do semi-árido piauiense, especificamente na localidade de Paquetá, encontra-se a Comunidade dos Potes, como é conhecido o grupo de famílias de oleiros, integrantes do projeto desenvolvido pelo Artesanato Solidário.
O trabalho em cerâmica realizado na Comunidade dos Potes é herança desse passado tão característico do cenário de antigas fazendas. A produção de potes serviu, inicialmente, à necessidade de armazenar água e de guardar sementes de uma colheita para a outra. Suas formas e dimensões são lembranças vivas das soluções locais para a lide diária. O aprimoramento e diversificação dos produtos estão permitindo aos artesãos da Comunidade dos Potes, em São João da Varjota, ter uma alternativa concreta de geração de renda. A divulgação desse belo artesanato e sua comercialização abrem o caminho para a sustentabilidade dessa atividade tão tradicional da região.
 
 

Coqueiro Campo-MG

 

 
Coqueiro Campo é uma localidade do município de Minas Novas, integrante do Vale do Jequitinhonha, a nordeste de Minas Gerais, mas Buriti, comunidade rural da qual faz parte, é município de Turmalina. Nessa região de limites incertos, habita um grupo de ceramistas, em sua maioria vindas do bairro vizinho de Campo Alegre (Turmalina), onde aprenderam o ofício com suas mães, tias e avós.
Veículo de expressão do sentimento do belo, além de recipiente para usos variados, a cerâmica produzida em Buriti/Coqueiro Campo é profusamente decorada de flores e folhas, elementos a mais em um jogo de formas arredondadas e tonalidades extraídas da terra — do branco ao marrom avermelhado. Fruto de um longo e delicado processo que envolve a coleta do barro, a sua transformação em argila, a modelagem, secagem, decoração e queima, essa cerâmica é testemunho de um certo modo de vida, de descoberta tecnológicas e adaptações específicas, de padrões estéticos próprios.
 
 

Esperança-PB

 

 

 
Entre linhas, fios, enfeites, panos e um fazer tradicional ancestral, foi encontrada a mestre Socorro da Conceição de 60 anos, que desde os sete faz bonecas. Após o trabalho realizado pelo Artesanato Solidário/ArteSol, 40 artesãos de 13 a 72 anos, inclusive homens, produzem os mais diversos tipos de bonecas. O sentimento comum é o carinho e o cuidado com que fazem cada peça tornar-se única. São bonecas grandes, pequenas, morenas, loiras, negras, casais de noivos e famílias.
A partir desse trabalho, a valorização da atividade, o fortalecimento da autoestima, a melhoria da qualidade de vida e o reconhecimento do artesanato pela comunidade foram significativamente conquistados.
 
 

Rio Real-BA

 

 
A cerâmica do município baiano de Rio Real é feita nas localidades de Carro Quebrado e Rebolo por mulheres que seguem uma tradição passada de mãe para filha. Elas produzem potes lisos, decorados e em altorrelevo, moringas simples, como gomos (quando recebem o nome de pitanga), em forma de galinha, em forma de cabaça (com dois ou três bojos), além de talhas, filtros, mealheiros e alguns outros itens do repertório doméstico. Os trabalhos feitos com barro em Rio Real representam claramente a expressão técnica e artística de um artesanato que absorveu a fertilidade criadora da cerâmica indígena, já existente quando do descobrimento, e a influência cultural dos colonizadores portugueses.
 
 

Jatobá-PE

 

 
Situado na microrregião de Itaparica, Jatobá é um jovem município com a antiga prática artesanal do trançado de palha. Várias gerações perpetuam esta arte de fazer tradicional, que se renova nas mãos hábeis dos seus artesãos. Neste pedaço do semi-árido nordestino, a rica tradição cultural pernambucana ganha força e expressividade criativa no artesanato de palha.
Através do Projeto Trançados de Jatobá, do Artesanato Solidário, os artesãos se reuniram na Cooperativa Divina Graça dos Artesãos de Trançados de Palha de Ouricuri e conseguiram inovar e tornar ainda mais bonita uma antiga técnica artesanal de origem indígena: o trançado de palha de ouricuri. Aperfeiçoaram e inovaram essa tradição sem, contudo, alterar suas características culturais.
 
 

Entre Rios-BA

 

 
O trançado de piaçava de Porto de Sauípe, litoral norte da Bahia, faz arte de uma longa convivência desta comunidade com o meio-ambiente, representada na coleta de matérias-primas regionais, no tingimento com corantes naturais e nas formas criativas dos desenhos.
O Projeto Trança do Mar foi desenvolvido com 47 pessoas ligadas à Associação de Artesãos de Porto de Sauípe, que tradicionalmente trançam em palha de piaçava. Essa atividade propicia a convivência e a solidariedade entre os grupos de mulheres como forma de respeito à comunidade e exercício de cidadania.
 
 

Poço Verde-SE

 

 
Em Poço Verde, a tecelagem é um ofício que remonta à tradição indígena e à influência europeia, presentes nos tipos de teares e nos desenhos aplicados em redes, mantas e tapetes. O Projeto Tecendo o Sertão do Artesanato Solidário foi desenvolvido no município de Poço Verde, no estado de Sergipe, com a participação de 72 mulheres e 12 homens da zona rural (nas localidades de Amargosa e Malhadinha). Como prática comunitária, a confecção de cada produto estabelece uma rede de relações entre os grupos de artesãos mobilizados no processo, que se desdobra em várias etapas.
 
 

Grajatá-MG

 

Os artesãos de Chapada do Norte/MG, reunidos na Associação dos Artesãos de Santa Cruz de Chapada do Norte, compõem um dos núcleos de artesanato de tradição em que atua o Artesanato Solidário/ArteSol. Produzem um artesanato variado que inclui bolsas e sacolas trançadas com palha de milho, bancos de madeira trançados em couro e palha de milho, além de caixas de folia e tambores, instrumentos musicais utilizados na congada, tradicional manifestação cultural da comunidade.
 
 

Jataúba-PE

 

 
Jataúba/PE tem hoje como principal fonte de recursos o artesanato da renda renascença. Incentivados pelo ArteSol, 32 artesãos, reunidos na Associação das Artesãs Solidárias de Renda Renascença do Município de Jataúba, dispõem de uma sede para trabalhar, criam seus produtos e resgatam pontos tradicionais guardados na memória das antigas mestras do ofício. Os produtos de Jataúba têm caráter original pelo uso da cor, do tingimento feitos nos lacês e fios e pelo novo risco na sua concepção.
 
 

Entremontes-AL


Em Entremontes, localidade do município de Piranhas em Alagoas, um grande número de mulheres detém a arte do bordado redendê e do ponto-cruz, habilidade herdada de suas mães e avós. Hoje, a Cia de Bordados de Entremontes reúne mulheres em torno do ofício que expressa a sua mais bela tradição. Sem dúvida alguma, o trabalho tem um significado especial; além de trazer ao público duas das mais tradicionais técnicas de bordado de nosso país, sua produção é elemento de agregação e valorização de toda a comunidade, ao proporcionar a melhoria da qualidade de vida das artesãs e de suas famílias.
 
 

Alagoa Nova-PB

 

 
O grupo de bordadeiras de Alagoa Nova é constituído exclusivamente por senhoras, em sua maioria mães de família que querem contribuir para o orçamento familiar. Hoje também buscam independência financeira e um reconhecimento maior na comunidade. Em fevereiro de 2002 o Artesanato Solidário/ Artesol iniciou o projeto “Bordados de Alagoa Nova”, acreditando que o município poderia se transformar num centro de excelência do bordado paraibano e, com isso, possibilitar uma alternativa de renda para as bordadeiras locais. Agora, cerca de 25 mulheres, organizadas na Cooperativa das Bordadeiras de Alagoa Nova, produzem toalhas, jogos americanos e outros produtos da linha de cama e mesa com a técnica do ponto-cheio, que é tradição na região desde a década de 50.
 
 
 
 
Fonte: http://www.artesol.org.br/site/multimidia/videos/

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© fotos do acervo por Pierre Yves Refalo. Para compra de peças entre em contato direto com os artesãos.